A TEORIA GEOSSISTÊMICA E SUA CONTRIBUIÇÃO AOS ESTUDOS GEOGRÁFICOS E AMBIENTAIS
ResumoOs teóricos da geografia tem negligenciado grande parte do arcabouço teórico – metodológico da geografia física. Arca-se que a Geografia Física absorve com rapidez as teorias de outras ciências sem contribuir ou apropriar-se dos debates na filosofia da ciência com a mesma velocidade e eficiência.
Essas duas tendências não são novas. A primeira remonta às primeiras explicitações da Geografia como ciência, apesar de antiga, essa primeira tendência foi em parte reforçada por diversos acontecimentos ocorridos ao longo de todo o século XX e, especialmente, a partir das décadas de 60 e 70. Dentre esses acontecimentos, é possível citar como exemplo o aprofundamento de determinados debates a partir do surgimento da Geografia Crítica. Quando JOLY (1977) avalia o desenvolvimento da geomorfologia na França, ou quando GREGORY (1992) demonstra a força dessa tendência também na Geografia produzida em países de língua inglesa, passamos a ter clareza de que o problema da negligência é da Geografia Física.
A teoria geossistêmica: fontes de inspiração e desenvolvimento no contexto da Geografia Física.
Marcam essa fase de grandes expedições e descrições territoriais as sociedades geográficas nacionais e a criação de cátedras em Geografia. Nos primórdios do século XX, inúmeras sociedades científicas novas foram fundadas. Em 1866, somavam-se dezoito sociedades geográficas e, em 1930, cento e trinta e sete (GREGORY, 1992).
As influências externas que pairavam sobre a Geografia nessa época, meados do século XIX e início do século XX, advinham da abordagem positivista. Se para a Geografia Física essa livre assimilação favoreceu, por um lado, a ausência de crítica de cunho epistemológico, por outro, significou a manutenção de certas referências metodológicas, técnicas e operacionais que ainda hoje podem ser consideradas como pertinentes e adequadas à observação. A segunda lei da termodinâmica permitiu o desenvolvimento de uma teoria que representou uma contribuição mais imediata para a formulação da teoria geossistêmica: a Teoria Geral dos Sistemas. Proposta pelo biólogo Ludwig von Bertalanffy em 1901, visava tanto a investigação científica dos sistemas em várias ciências quanto sua aplicação tecnológica e, ainda, a própria filosofia dos sistemas, no sentido de promover a discussão desse novo paradigma científico. Até meados do século XX, essa teoria permaneceu pouco difundida, mas uma série de apropriações em diversos ramos científicos ocorreu a partir de então. Ela propõe que os sistemas podem ser definidos como conjuntos de elementos com variáveis e características diversas, que mantêm relações entre si e entre o meio ambiente. Um dos primeiros ramos científicos a utilizá-la foi a Ecologia, com a proposição do conceito de ecossistemas (TROLL, apud GREGORY, 1992). Na Geografia, sua penetração foi muito maior na área de Geografia Física, tendo em vista que sua abordagem positivista e sua natureza.
A teoria geossistêmica: da proposição inicial à utilização no Brasil
Para compreender os elementos básicos dessa proposição, é preciso reafirmar que, a teoria geossistêmica faz parte de um conjunto de tentativas ou de formulações teórico- metodológicas da Geografia Física, surgidas em função da necessidade de a Geografia lidar com os princípios de interdisciplinaridade, dinâmica, fundamentalmente, incluindo-se prognoses a respeito desta última. Uma colocação básica a respeito dos geossistemas é feita por SOTCHAVA (1977) logo de início. Os geossistemas devem ser estudados à luz dos fatores econômicos e sociais. Os geossistemas podem refletir parâmetros sociais e econômicos que influenciam importantes conexões em seu interior. Um outro tipo de princípio básico é o bilateral, ou dual, dos geossistemas, em que se analisa, por um lado, a estrutura homogênea que caracterizaria o geômero e, por outro, as qualidades integrativas dos geossistemas, que caracterizaria o geócoro.
Possibilidades e limites
Essas colocações sumárias, que pretendem subsidiar a realização de uma avaliação da contribuição da teoria geossistêmica aos estudos geográficos e ambientais, remetem também a avaliações de outras referências. Seria preferível realizar avaliações em conjunto com proposições similares, igualmente respaldadas na teoria geral dos sistemas. Entre elas, anoto como fundamentais, a proposta da abordagem morfodinâmica de TRICART (1977) ou a abordagem ecogeográfica de TRICART & KILLIAN (1979). As possibilidades de aplicação das propostas merecem ser destacadas no que se refere aos objetivos geográficos na Geografia Escolar esse conhecimento ainda é transmitido com ênfase nas descrições e continua desarticulado do conjunto da Geografia com relação aos objetivos de planeamento ambiental, as mesmas dificuldades se impõem, como é o caso da falta de conhecimento físico-territorial básico do nosso território, compatível com a escala dos geossistemas, conforme afirmado anteriormente.



0 Comentários